Publicado em
14/08/2025
O que de fato significa uma casa? E o que é ter um lar? E, muito mais que isso, o que gera o pertencimento a um território, a um lugar para chamar de seu? Entre tantas maneiras de se viver e de morar nos quatro cantos do país, este Retrato Brasil traz um pouco das diversas culturas, histórias e formas de se organizar, quando o assunto é moradia.
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O mundo mágico das casas indígenas
Por Renato Soares
Ao viajar por um Brasil profundo em busca de conhecer os povos originários, eu me deparei com inúmeros tipos de construções e aldeamentos. Das grandes ocas dos povos do Alto Xingu dispostas em um grande círculo formando a aldeia, às imensas casas comunais dos Waimiri Atroari, no Amazonas.
As casas flutuantes dos Magüta (Ticuna), no Amazonas, ou até mesmo as grandes casas de reuniões dos Waiana Apalai, nas Terras Indígenas do Tumucumaque, a Tukusipan. Todas dentro dessas casas tradicionais que abrigam pessoas há milhares de anos.
A Tukusipan é a casa comunitária tradicional dos povos indígenas Waiana e Apalai. É um espaço sagrado e símbolo da aldeia, onde todos da comunidade se reúnem para atividades como confecção de artefatos e pinturas, reuniões, rodas de fogueira, danças e celebrações. Essas construções fazem parte do cotidiano e são um símbolo de sua cultura.
No Alto Xingu, no centro das aldeias, existe uma casa solitária, chamada “Casa dos homens”. Ali eles se reúnem para longas conversas, pinturas corporais, reuniões, brincadeiras e ritos. Lá também são guardados instrumentos sagrados, como as flautas Jacuí. As casas tradicionais são como seres vivos, pois são feitas de madeiras flexíveis, como a pindaíba, e costuradas com fibras como cipó e embira. Muitas são cobertas de folhas de palmeiras como Buriti, Ubim, Alariá, Tucumã e tantas outras palmeiras Amazônicas e, até mesmo, a gramínea do Sapé, esta usada na cobertura das grandes casas Xinguanas.
As casas indígenas são como um útero materno que abriga e acolhe essa grande família com toda sua diversidade.
Tem cor, tem corte e a história do meu lugar
Por Osani Silva
O ensaio propõe um mergulho visual nas fachadas de casas da região do Seridó Potiguar, no sertão do Rio Grande do Norte. Longe dos estereótipos que limitam o sertão à aridez e ao cinza, as imagens revelam uma paleta vibrante de cores, texturas e detalhes construtivos que dão forma a moradias urbanas e rurais. Portas, paredes e pinturas se tornam portais de expressão e afeto, refletindo o cotidiano e a identidade dos que habitam esses espaços.
Mais do que simples construções, essas casas materializam modos de vida singulares, forjados pelo clima, pela cultura local e por uma criatividade que resiste e se reinventa. Em um estado frequentemente lembrado por seu litoral e pela capital, o interior emerge como protagonista silencioso, onde arquitetura, calor e cor se entrelaçam na paisagem e na memória. Cada fachada conta uma história, e cada porta convida a imaginar o que há por dentro.
A série fotográfica busca retratar a diversidade das moradias nesse recorte geográfico específico, revelando semelhanças e contrastes, repetições e surpresas. As imagens expõem as nuances das identidades regionais brasileiras por meio da arquitetura do cotidiano. Cada casa registrada é, ao mesmo tempo, parte de um coletivo e um universo particular, reflexo da complexa e rica formação cultural que constitui o Brasil profundo.
Territórios de resistência
Por Raul Luciano Batista
O ensaio percorre três territórios periféricos da grande São Paulo, onde a urgência de existir se impõe diariamente: o Jardim Pantanal, a Comunidade México 70 e a Favela do Moinho. Em comum, esses espaços carregam histórias de resistência silenciosa e coletiva diante de políticas que insistem em marginalizar corpos e moradias.
Através do olhar atento de Raul Luciano Batista, o cotidiano dessas comunidades se revela para além da carência – ele emerge como denúncia, mas também como afirmação de vida. As imagens não apenas capturam a superfície do que é visível, mas tensionam os limites entre o invisível e o esquecido, entre o abandono e a luta.
O ensaio convida o espectador a enxergar os territórios não como cenários de tragédia, mas como lugares pulsantes, onde crianças brincam, moradores se organizam e vozes se levantam. Há beleza, dureza e resistência entrelaçadas em cada fotografia – como quem insiste em existir mesmo onde insistem em apagá-lo.
>> Renato Soares é natural de Carmo do Rio Claro, Minas Gerais, onde vive atualmente. É colaborador de revistas como National Geographic, Scientific American e Harvard Review of Latin American. Iniciou sua carreira na fotografia na década de 1980 e, desde então, realiza sistemáticas viagens pelo território nacional, especialmente na região amazônica, para retratar as diferentes formas de expressão cultural dos vários grupos étnicos. Trabalha no projeto Ameríndios do Brasil – uma ambiciosa documentação fotográfica das mais de 300 nações indígenas do país.
Instagram: renato_soares_foto
>> Osani Silva é fotógrafo e realizador audiovisual. Natural do Seridó Potiguar, no sertão do Rio Grande do Norte, concentra suas pesquisas visuais na documentação do cotidiano local. Atualmente, cursa Comunicação Social – Audiovisual na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Instagram: @tambureti
>> Raul Luciano Batista dos Santos é fotojornalista em São Paulo, com foco em pautas sociais e defesa de direitos. Atua como fotógrafo autônomo desde 2021, registrando manifestações, cotidiano e temas de impacto social. Estuda Fotografia e Jornalismo, unindo técnica e engajamento em seu trabalho.
Instagram: @raullucianobatistads

Como diversos outros direitos contidos na Constituição Federal de 1988, o acesso à moradia é cercado por desigualdades e injustiças crônicas, que remetem ao período da escravidão. Como superar problemas estruturais para conquistar um lar? Especialistas acreditam que a reforma urbana “só acontecerá com a força popular”.
Publicado em
14/08/2025
Arquiteta e urbanista, além de coordenadora do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade
da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), a especialista é defensora do que chama de moradias dignas e adequadas, e reforça que o modelo de cidade excludente surge de um processo histórico que tem a ver com capitalismo e racismo.
Publicado em
21/08/2025
Para povos indígenas e comunidades quilombolas, o direito à moradia está totalmente ligado ao direito ao território.
Publicado em
14/08/2025