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Publicado em

14/08/2025

“Casa: território de direitos e sentidos” é tema da Trilha de Saberes da 13ª edição da revista 

O roteiro formativo coloca em pauta a moradia enquanto elemento fundamental que possibilita a garantia de outros direitos humanos essenciais, e, ainda, instiga os participantes a se engajarem em movimentos de mobilização por moradia.

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“Assim como o corpo, a casa também fala, mesmo quando o silêncio se impõe. Fala sobre quem somos, de onde viemos, o que herdamos e o que projetamos para viver em comunidade. Ambos, corpo e casa, são lugares que nos constituem como sujeitos no mundo. E quando essa conexão se rompe, quando a moradia se torna insegura, invisibilizada ou negada, deixamos de compreender plenamente a nós mesmos e a sociedade que criamos.” 

O trecho acima faz parte da introdução da Trilha de Saberes que acompanha a 13ª edição da Revista Casa Comum. Diante da temática do novo volume – “Moradia: porta de entrada de todos os direitos” -, a Trilha, realizada em parceria com a Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), se propõe a discutir a casa enquanto território de direitos e sentidos. 

Mas, afinal, o que isso significa? 

Maura Cristina, ativista do movimento negro e coordenadora estadual do Movimento Sem-Teto da Bahia, em entrevista para a série de podcasts Bem viver nas cidades, aponta que: “A moradia é o início de uma outra luta: é direito à educação, à alimentação, à saúde, a transporte.” 

Já a escritora bell hooks fala sobre um sentimento de pertencimento que vai além de ocupar um espaço físico, mas que envolve também a construção de uma relação profunda com o lugar, que, por sua vez, acarreta memória, história, identidade e cuidado. 

Ter uma casa, portanto, não é só sobre ter um teto onde repousar, mas também envolve o direito de afirmar a existência de cada um e de pertencer. 

Sobre a Trilha de Saberes 

A cada edição, a Revista Casa Comum traz à tona uma série de conteúdos que buscam ampliar a compreensão de diferentes públicos sobre as pautas de direitos fundamentais, bem como gerar e produzir conhecimento, possibilitando uma formação permanente para quem atua e para quem quer atuar nessas agendas.

Assim, a Trilha se propõe a apresentar um caminho para que todos e todas que promovem formações com grupos, coletivos, movimentos, espaços escolares etc., possam explorar todo o conteúdo da Revista em momentos de encontros, rodas de conversa e formações, incentivando a reflexão e o engajamento de cidadãos e cidadãs em iniciativas de transformação social.

A Trilha é formada por um ponto de partida, que traz o tema norte e a base conceitual, além de três encontros, que percorrem um caminho educativo que visa: 1. Conhecer o tema; 2. Refletir; e 3. Agir.

Por dentro do tema 

Recheada de referências tanto da 13ª edição da revista como de materiais externos – entre textos, podcasts, vídeos, livros, poemas, artigos e músicas -, a Trilha de Saberes propõe a discussão de questões que vão desde ‘O que é casa para você?’ até ‘Se a moradia é um direito, por que não é garantido como outros direitos, como educação e saúde?’. 

A ideia é que os participantes possam refletir sobre como a moradia de fato atua como uma ‘porta de entrada’ para a garantia de outros direitos fundamentais e também a sua relação com a vida comunitária. 

O roteiro formativo também instiga outros debates, como o fato de a moradia ser encarada atualmente no Brasil enquanto uma mercadoria. Essa perspectiva conversa diretamente com os interesses do mercado imobiliário e da construção civil, que, em linhas gerais e, principalmente, em grandes cidades, determinam seus locais de interesse e, consequentemente, os locais menos favorecidos são destinados à população mais pobre. 

Propostas práticas 

Depois de muitas rodas de conversas, pesquisas e debates, a proposta ‘Agir’ desta Trilha de Saberes envolve a descoberta de movimentos de lutas por moradia nos territórios e o engajamento nessas mobilizações, com o desenvolvimento de planos de ação comunitária em defesa da moradia digna. 

Entre as possibilidades está a criação de uma roda de escuta e memória com pessoas idosas da comunidade, promover uma sessão do documentário “Eu moro aqui” seguida de um debate, organizar voluntários que se disponibilizem a prestar assessoria técnica jurídica e de arquitetura e engenharia, entre outras. 

A Trilha de Saberes faz parte integrante do corpo da Revista Casa Comum. O material estará sempre disponível ao final dos conteúdos de cada edição. 

Não deixe de acessar o site da revista e conferir o roteiro na íntegra.

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