Publicado em
27/02/2025
Em parceria com a Campanha da Fraternidade, formação de abrangência nacional visa despertar a consciência crítica e ecológica, promover a justiça socioambiental e o exercício da cidadania.
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Já imaginou capacitar 1.400 animadores(as) e multiplicadores(as) para a defesa e o cuidado da Casa Comum? Pois esse foi o feito do Mutirão em Defesa da Casa Comum, iniciativa do Projeto Encantar a Política, do Sefras – Ação Social Franciscana, da Revista Casa Comum e da Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Lançado durante o Seminário Nacional da Campanha da Fraternidade, realizado em setembro em Brasília (DF), o curso contou com duas turmas: uma iniciada em outubro de 2024 e outra em janeiro de 2025, ambas com 700 vagas preenchidas, com participantes vindos de todos os estados.
Mote e inspiração
Jussara Seidel, membro da coordenação da iniciativa, relembra que o curso foi inspirado no chamado da Campanha da Fraternidade de 2025, que tem como tema ‘Fraternidade e Ecologia Integral’ e o lema “Deus viu que tudo era muito bom!” (Gn 1,31).
“De fato, não é a primeira vez que a Campanha da Fraternidade trata de temas ecológicos. Na verdade, é a nona vez. Porém, a escolha do tema para 2025 se deve a urgente crise socioambiental que nós vivemos. Cada dia mais, os desastres e desequilíbrios estão batendo à nossa porta”, comentou Padre Jean Poul, Hansen, docente da Faculdade Católica de Pouso Alegre (MG), licenciado para exercer a função de secretário executivo de Campanhas na CNBB.
Ele compartilha, ainda, sobre outros importantes marcos neste ano que inspiraram a escolha do tema da CF 2025: o aniversário de 800 anos do Cântico das Criaturas de São Francisco, “uma lição de ecologia integral deixada na Idade Média e muito válida para os nossos tempos”; os 10 anos da Encíclica Laudato Si’, “uma carta encíclica geral enviada a toda humanidade na qual o Papa Francisco nos chama a responsabilidade ecológica para com o nosso planeta”; e também a realização da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), a COP 30, em Belém, no Pará, entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025.
A Campanha da Fraternidade também inspirou e foi parceira na elaboração da 10ª edição da Revista Casa Comum, um volume especial, que, ao trazer a urgência da Ecologia Integral, teve como tema Somos Natureza: a necessária conversão ecológica. Além da parceria da CF e do Sefras, a edição envolveu um comitê externo, que contou com a participação de diversas pessoas conectadas à temática do meio ambiente e outros especialistas.
“Desejamos animar os(as) multiplicadores(as) para a defesa e o cuidado da Casa Comum, proposto pela Campanha da Fraternidade de 2025, contribuindo, assim, para o despertar da consciência crítica e ecológica, a promoção da justiça socioambiental e o exercício da cidadania”, afirma Jussara.
O novo curso seguiu os passos do Mutirão pela Democracia, iniciativa da Revista Casa Comum em parceria com o Projeto Encantar a Política realizada no início de 2024, com base nas reportagens da 8ª edição – que pautou o tema Reencantar a política: pela mobilização das urnas e das ruas – e também na Trilha de Saberes.
Plano de multiplicação: o Mutirão na prática
Um dos aspectos fundamentais da formação é a proposta de criação, pelos participantes, dos chamados planos de multiplicação.
Criada no Mutirão pela Democracia, a estratégia consiste em cada participante, no momento da inscrição, assumir o compromisso de criar um plano de ação com o objetivo de multiplicar, ou seja, compartilhar os conhecimentos e experiências aprendidos com outras lideranças de seu território. A ideia, portanto, é verdadeiramente potencializar a chegada dos ensinamentos da formação a mais pessoas e com ações de mobilização concretas em cada território.
No Mutirão em Defesa da Casa Comum, cada participante se compromete a compartilhar a formação com sete pessoas e propor ações concretas frente ao cuidado e a defesa da Casa Comum. E a estratégia deu certo.
Charles Falcão, de Coari (AM), defende a importância dessa estratégia para que os conteúdos relacionados à preservação da Casa Comum cheguem a novos espaços. “O plano de multiplicação representa o coroamento de todo o processo de formação iniciado com o Mutirão em Defesa da Casa Comum. Sua concepção e desenvolvimento é o compromisso que firmamos na construção de um destino comum, onde a ecologia integral e a conversão ecológica sejam uma realidade presente, aprendendo com o passado e indicando novos rumos para um futuro melhor”, afirma.
Também no Amazonas, mas em Manaus, Bibiano Simões Filho, conta que buscou pessoas de sua própri território de atuação , “alertando sobre as mudanças climáticas decorrentes da falta de humanidade e empatia com a vida do planeta”. O cursista apresentou a ideia do plano de multiplicação no encontro de planejamento anual de território, o que contribuiu para ganhar novos adeptos nessa missão. “No dia 22, teremos a formação da Campanha da Fraternidade 2025 a nível de região episcopal e, depois, seguiremos com a proposta de contribuir para o despertar de consciências críticas e ecológicas, e, ao mesmo tempo, agindo para promover a justiça socioambiental e o exercício da cidadania. Por essa razão, os multiplicadores assumiram o compromisso de multiplicar a formação: cada pessoa se comprometeu em mobilizar sete novas lideranças, e estas mobilizarem outras sete pessoas”, explica.
Já Brígida Aparecida de Azevedo, de São Gonçalo do Sapucaí (MG), compartilha a felicidade de participar da experiência, e atesta como os conteúdos estão conectados com o contexto atual da crise climática. “O foco do curso na necessidade da conscientização para o cuidado e defesa do nosso planeta vem ao encontro com a concretização das catástrofes resultantes do aquecimento global. Como participantes desse curso, nós da Diocese da Campanha, nos unimos e elaboramos nosso plano de Ação: MultiplicAção para que outras pessoas também possam se engajar e colaborar na divulgação e realização desse projeto, transformando-o em uma ação concreta.”
Balanço: os aprendizados de uma formação para todo o Brasil
Daniel Seidel, coordenador do Projeto Encantar a Política e membro da coordenação do curso, reforça a importância de um movimento de conscientização sobre a urgência do cuidado com a natureza como um todo, e como esse processo é potencializado a partir da parceria com organizações da igreja católica.
“Na perspectiva das mais de 30 organizações que compõem o Projeto Encantar a Política, a realização do Mutirão em Defesa da Casa Comum foi fundamental pois realiza a mobilização de agentes multiplicadores da educação popular, criando um sentido de pertencimento a uma caminhada de libertação a partir da fé, que coloca no centro o trabalho de base. Não ocorrerão mudanças na sociedade sem a formação da consciência crítica e política dos movimentos populares, das Pastorais Sociais e das Comunidades Eclesiais de Base [CEBs].”
Alex Bastos, responsável pela estratégia de formação da Revista Casa Comum, coordenador das duas edições do Mutirão, por sua vez, avalia que o primeiro grande impacto da formação é a adesão: “Vemos um desejo das pessoas em participar, dialogar e aprofundar conhecimentos sobre o tema do cuidado com a Casa Comum.”
O coordenador também reforça a força-tarefa para fazer com que a 10ª edição da Revista – que, juntamente com a Trilha de Saberes, serve como base conceitual do curso – chegasse aos territórios. “Em uma parceria com a CNBB, a 10ª edição da revista e o Mutirão em Defesa da Casa Comum foram lançados no Seminário Nacional da Campanha da Fraternidade, em setembro de 2024, promovido pela CNBB no setor de campanhas. A partir daí, vemos o esforço e movimento das regiões, dioceses e comunidades eclesiais em fazer a revista chegar.”
A chegada das revistas
Nessa edição do Mutirão, cada participante recebeu o kit de multiplicação, composto por oito exemplares da revista. No total, foram enviadas 11.200 revistas para os cursistas.
A parceria com a CNBB também foi importante no sentido de viabilizar a distribuição do material pelo Brasil. Cada região episcopal do Brasil recebeu uma quantidade de revistas para o trabalho nas dioceses, totalizando o envio de 111 mil revistas para os 19 núcleos regionais da CNBB. “Com a ação do Mutirão, a revista está chegando a muitas cidades em todos os estados do país”, reforça Alex.
Por fim, Alex avalia o potencial de um curso voltado à verdadeira transformação do contexto atual em diferentes territórios pelo país. “Eduardo Galeano diz que ‘A primeira condição para mudar a realidade consiste em conhecê-la.’ O Mutirão tem sido uma estratégia de formação para tornar os conteúdos da revista e do texto base da Campanha da Fraternidade conhecidos e amplamente discutidos, para a mudança da realidade. A julgar pelas rodas de conversa e pela beleza das ações já efetivadas pelos participantes da primeira fase, penso que os objetivos foram alcançados e a revista vem se mostrando um profético meio de transformação social e discussão da realidade”, completa.
A atual edição da Revista é fruto da parceria entre o Sefras – Ação Social Franciscana e a Campanha da Fraternidade 2025, que traz o tema Fraternidade e Ecologia Integral.
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