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Publicado em

14/08/2025

O desafio da habitação digna no Brasil: Tem gênero e raça



Por Daniele Próspero

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Se fizermos um levantamento rápido observando a atuação de movimentos sociais e organizações da sociedade civil espalhados pelo Brasil que buscam, diariamente, garantir o direito à moradia à população, facilmente será possível identificar quem está à frente dessas mobilizações, desempenhando papéis de liderança e organizando os processos de forma colaborativa: centenas de mulheres.

Assumir esse papel, porém, não é apenas um desejo de resistência e de participação, mas uma questão de sobrevivência, afinal, as mulheres não são apenas a maioria da população brasileira (51,5% – são 104,5 milhões de mulheres e 98,5 milhões de homens), mas a parcela da sociedade mais
afetada e impactada pelas desigualdades estruturantes que marcam o país, o que torna a conquista por uma habitação digna um desafio ainda maior.

Os diversos dados reunidos neste Raio-x, levantados a partir de várias pesquisas e estudos, apontam que as mulheres estão diante da privação não só de uma casa, mas de tudo o que envolve morar com dignidade, ou seja, com acesso à água, saneamento básico, luz etc. Conheça o cenário atual:

Fontes:
>> Estudo “Sem Moradia Digna, Não Há Justiça de Gênero”, produzido pela ONG Habitat
para a Humanidade Brasil, 2025. Disponível em: bit.ly/RCC_13_077
>> Campanha Despejo Zero: www.campanhadespejozero.org. Saiba mais no Em Destaque e também no Mobilize-se.

Fontes:
>> Estudo “Com sede de esperança: como a violação do direito à água e ao saneamento impacta a vida das mulheres brasileiras”, produzido pela ONG Habitat para a Humanidade Brasil, 2024. Disponível em: bit.ly/RCC_13_078
>> Estudo “O saneamento e a vida da mulher brasileira”, do Instituto Trata Brasil, de 2022. Disponível em: bit.ly/RCC_13_079

Outros indicadores: moradia, raça e renda

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua PNADc. Cards produzidos pelo Cedra: www.cedra.org.br

Para mudar o rumo desse cenário

#FICAADICA: Mulheres em luta

Cartilha “Se essa casa fosse minha? Eu mandava ela morar”

O material tem como proposta retratar como as dificuldades de acesso à moradia no Brasil impactam, de maneira desproporcional, a vida de mulheres negras. A publicação busca discutir as desigualdades no acesso à moradia digna, destacando como o racismo estrutural e a desigualdade de gênero agravam as condições de vida dessas mulheres, que frequentemente são chefes de família e enfrentam desafios adicionais na busca por habitação. A cartilha é fruto da parceria entre o Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), o Movimento Sem-Teto da Bahia (MSTB) e a Habitat para a Humanidade Brasil.

Documentário “Eu moro aqui”

A produção, elaborada em 2024 pela Habitat para a Humanidade Brasil, traz histórias, principalmente de mulheres negras, que contam suas vivências, resistências e construção coletiva em defesa do direito à moradia. O documentário retrata o dia a dia da Ocupação Quilombo Carolina Maria de Jesus, em Salvador (BA) e da Ocupação Luiz Gomes, em Campina Grande (PB).


Outros conteúdos:

Moradia ainda é vista como mercadoria e não como direito no Brasil

Como diversos outros direitos contidos na Constituição Federal de 1988, o acesso à moradia é cercado por desigualdades e injustiças crônicas, que remetem ao período da escravidão. Como superar problemas estruturais para conquistar um lar? Especialistas acreditam que a reforma urbana “só acontecerá com a força popular”.

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21/08/2025

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