Publicado em
23/07/2026
O Grito dos Excluídos e Excluídas transformou o 7 de Setembro, tradicionalmente dedicado às celebrações da independência, em um espaço de mobilização popular, reflexão e defesa da justiça social.
Por Aline Baker

O Grito dos Excluídos e Excluídas transformou o 7 de Setembro, tradicionalmente dedicado às celebrações da independência, em um espaço de mobilização popular, reflexão e defesa da justiça social. Realizado uma vez por ano, o movimento se consolidou como um processo permanente de denúncia das desigualdades e de construção da participação cidadã.
A iniciativa surgiu a partir dos debates da 2ª Semana Social Brasileira, realizada pela CNBB em 1993 e 1994, sob o tema “Brasil, alternativas e protagonistas”. Inspirado também pela Campanha da Fraternidade de 1995, o primeiro Grito Oficial aconteceu em 7 de setembro daquele ano, com o lema “A vida em primeiro lugar”, mobilizando 170 localidades e unindo-se, em Aparecida (SP), à tradicional Romaria dos Trabalhadores.
Ao escolher a data da Independência, o movimento propõe um contraponto à narrativa oficial da história brasileira, dando visibilidade às reivindicações de trabalhadores, populações periféricas, sem-terra, sem-teto e outros grupos historicamente excluídos. Um marco precursor dessa mobilização foi o “Clamor dos sem-teto”, realizado em 1993, em Montes Claros (MG), quando famílias ocuparam as ruas durante o desfile cívico para reivindicar moradia digna.
Desde 1996, o Grito integra a dimensão sociotransformadora da CNBB e se organiza de forma horizontal, por meio de uma ampla rede formada por pastorais sociais e movimentos populares, como o MST e a Central dos Movimentos Populares. Presente nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, a mobilização alcança anualmente entre 100 e 200 cidades, mantendo seu caráter ecumênico, plural e democrático.
Ao completar 30 anos, o movimento ampliou sua atuação com o chamado “Dia D”, promovendo ações no dia 7 de cada mês para manter viva a mobilização. Seu objetivo continua sendo fortalecer o protagonismo dos próprios excluídos na defesa de seus direitos. Ao questionar os padrões de independência e exigir uma nova ordem social, o movimento reafirma que a verdadeira soberania só existe quando a dignidade humana é prioridade absoluta. E este é um princípio da Revista Casa Comum, que integra a articulação do Grito.