Publicado em
29/10/2025
A publicação aborda a Cúpula dos Povos como debate central, e aponta a necessidade de uma convergência global para enfrentar a crise do clima.
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Não é novidade que o mundo atravessa uma profunda crise socioambiental. Endereçar desafios ou questões complexas, como é o caso das mudanças climáticas, pode gerar sentimentos como impotência, exaustão e até mesmo incapacidade de agir diante de um contexto que parece crítico demais.
Nessas situações, um dos caminhos mais promissores é unir forças, experiências e conhecimentos para que, a partir da cooperação, possam ser traçadas estratégias que vislumbrem um futuro mais positivo.
Esse é o caso da Cúpula dos Povos, o fio condutor da 14ª edição da Revista Casa Comum. Com a chamada “Cúpula dos Povos: projeto popular pela justiça climática”, o volume foi pensado e planejado por um coletivo internacional, e nasce como instrumento de resistência, escuta e construção cooperativa.
O que é a Cúpula dos Povos?
A Cúpula dos Povos é um espaço que congrega movimentos sociais e populares, coalizões, redes e organizações da sociedade civil do Brasil e do mundo com o objetivo de fortalecer a construção popular e convergir pautas de unidade das agendas: socioambiental, antipatriarcal, anticapitalista, anticolonialista, antirracista e de direitos, respeitando suas diversidades e especificidades, unidos por um futuro de Bem Viver.
Ela se inspira na Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental promovida no Rio de Janeiro, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), em 2012. E, na verdade, esses dois espaços de articulação têm como base a chamada Eco-92 ou Cúpula da Terra, ocorrida em 1992 também na capital fluminense.
Neste ano, a Cúpula dos Povos acontece entre os dias 12 e 16 de novembro, na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém (PA), como um contraponto crítico à COP 30. A COP é a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (em inglês, United Nations Framework Convention on Climate Change ou UNFCCC), ou, ainda, a Conferência das Partes. Em sua 30ª edição, o evento acontece entre os dias 10 e 21 de novembro, pela primeira vez no Brasil, na cidade de Belém, no Pará.
Diante de tantas desigualdades, a resposta está na justiça climática
Desde 1992, a Cúpula dos Povos propõe discussões alternativas àquelas que acontecem nas COPs: enquanto essas seguem negociando números e metas, a Cúpula fala de vidas, direitos e territórios.
A pauta central da Cúpula é a busca pela construção de um futuro enraizado na justiça social e climática.
Composta por mais de 1.100 organizações brasileiras e internacionais, que analisam a crise climática e seus efeitos a partir de suas realidades locais, a Cúpula e seus membros convergem na tese de que comunidades indígenas, tradicionais e periféricas são as que menos contribuíram para a crise climática, mas, ao mesmo tempo, as que mais sofrem com seus impactos.
Ao analisar as características desses grupos e populações mais atingidas pelos efeitos das mudanças climáticas, o cenário se repete em diferentes países: são os mais pobres e vulneráveis, as mulheres, crianças, pessoas negras, idosas e com deficiência os maiores afetados pelas emergências, que se multiplicam a cada dia.
Uma crise com base nas ações humanas
A edição busca mostrar, a partir de entrevistas com especialistas, estudiosos(as) e ativistas brasileiros(as) e internacionais, que a crise que o mundo atravessa tem origem nas ações humanas.
O capitalismo está no centro das discussões, uma vez que prioriza o lucro, a financeirização da vida e o extrativismo predatório em detrimento do bem-estar, do Bem Viver, do equilíbrio dos ecossistemas e de uma boa relação entre seres humanos e o meio ambiente.
Ao mesmo tempo, são, mais uma vez, as populações mais afetadas e atingidas por situações de emergência climática e social que melhor traduzem a existência de outras de existir, de produzir, consumir, comercializar e, portanto, de viver em harmonia com o Planeta.
Povos indígenas e tradicionais em diferentes partes do mundo apostam e praticam diariamente uma outra relação com os animais e com o espaço que habitam, de mais respeito, sem explorar e esgotar os chamados recursos naturais, compreendendo o Planeta enquanto Mãe Terra, que deve ser cuidada e protegida.
Estabelecer esse outro paradigma de ser e estar no mundo, entretanto, ainda representa um desafio, justamente por romper com a priorização do lucro.
O poder da coletividade
Com a Cúpula dos Povos no centro da discussão, a principal chamada desta 14ª edição da Revista Casa Comum é pela construção de um projeto popular, partindo de uma organização social baseada no princípio do Comum, como traz o Editorial deste volume. Nesse contexto, Comum significa tudo aquilo que é construído, cuidado e governado por muitas mãos, a partir de relações horizontais, solidárias e autônomas.
“O Comum se opõe à lógica da propriedade privada e da mercantilização da vida, além de à burocratização estatal que afasta o povo das decisões sobre seu próprio destino. Apostar no Comum é reconhecer que os povos têm a capacidade de autogovernar seus recursos, seus territórios e seus modos de vida com justiça e responsabilidade coletiva.”
Essas temáticas são abordadas em muitas frentes ao longo das páginas da Revista.
Entre os principais assuntos estão:
> O mundo em emergência climática;
> A crise do clima é uma crise social;
> O ataque a defensores(as) do meio ambiente;
> A importância da demarcação de territórios indígenas;
> Linha do tempo com a história da Cúpula dos Povos;
> Como a extrema direita fomenta a crise climática;
> As falsas narrativas e soluções para a crise climática;
> A nova Aliança dos Povos;
> O envolvimento de crianças e adolescentes em debates sobre o futuro do Planeta;
> O papel das mulheres na construção de soluções;
> Genocídio e ecocídio;
> e outros.
Trilha de Saberes

Com o tema Convergir para transformar: unindo vozes pela justiça climática, a Trilha de Saberes que acompanha a 14ª edição se dedica a incentivar a aplicação prática dos conceitos trabalhados ao longo da revista.
Realizado em parceria com a Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), o roteiro formativo sugere a criação de dois grandes ‘produtos’: o Círculo da Convergência e a Árvore das crises, lutas e esperanças.
Para chegar nessas duas produções, é necessário percorrer todo um caminho que envolve a leitura das reportagens da Revista, observação de fotografias, discussões em grupo, dinâmicas em duplas e trios, bem como momentos de desenho, troca de conhecimento entre os(as) participantes e construção de um plano coletivo de ação.
Sobre a Trilha de Saberes
A cada edição, a Revista Casa Comum traz à tona uma série de conteúdos que buscam ampliar a compreensão de diferentes públicos sobre as pautas de direitos fundamentais, bem como gerar e produzir conhecimento, possibilitando uma formação permanente para quem atua e para quem quer atuar nessas agendas.
Assim, a Trilha se propõe a apresentar um caminho para que todos e todas que promovem formações com grupos, coletivos, movimentos, espaços escolares etc., possam explorar todo o conteúdo da Revista em momentos de encontros, rodas de conversa e formações, incentivando a reflexão e o engajamento de cidadãos e cidadãs em iniciativas de transformação social.
A Trilha é formada por um ponto de partida, que traz o tema norte e a base conceitual, além de três encontros, que percorrem um caminho educativo que visa: 1. Conhecer o tema; 2. Refletir; e 3. Agir.
A proposta ‘agir’ dessa edição da Trilha envolve a criação de ‘protótipos de ação’ viáveis. Os(as) participantes da atividade devem se dividir em grupos e escolher um desafio de ordem climática que irão abordar, qual ação concreta vão desenvolver, em qual território e com quais ferramentas.
A Trilha de Saberes está disponível na íntegra neste link.
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A 14ª edição da Revista Casa Comum já está disponível para download e pode ser acessada na íntegra neste link.
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