Publicado em
05/08/2025
Iniciativa da Comissão Episcopal Para Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), documento critica o modelo de desenvolvimento predatório e valoriza a Ecologia Integral e espiritualidade como caminho de reconexão.
Por Mariana Lemos
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“Montanhas e seres vivos
participam de um processo vital
que se diversifica sem perder a
unidade. O homem é a terra;
é ferro, planta, água e ar, e
da identificação de todos estes
elementos, dinamizados pela
cultura, nasce a civilização.
Como, desgraçadamente, estamos
nos distanciando cada vez mais
deste conceito elementar, a
natureza vai sendo sacrificada,
e não assimilada, e com ela, as
montanhas desaparecem da face
da terra. Aparentemente, isso
produz riqueza. Na realidade,
provoca transformações
profundas no meio-ambiente, com
reflexos negativos na qualidade
da vida.”

O trecho de autoria de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1975, que, naquela época, já denunciava sinais de destruição de montanhas em Minas Gerais por conta da atividade mineradora, abre a publicação “Ecologia Integral: uma narrativa para enfrentar a crise socioambiental planetária”.
Lançada durante uma live transmitida no YouTube ao final de julho, o documento é uma iniciativa da Comissão Episcopal Para Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e, alicerçado na fraternidade e no cuidado com a Casa Comum, critica o modelo de desenvolvimento predatório e sugere uma nova relação com o Planeta.
Sobre a publicação
De acordo com nota publicada na página da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da CNBB(Cepast/CNBB), a publicação “denuncia o modelo capitalista, com sua busca por lucro acima da vida, como a raiz da destruição da nossa ‘Casa Comum’ e ainda, como o chamado ‘capitalismo verde’.”
A publicação está dividida em quatro capítulos: 1. Por uma narrativa cristã libertadora; 2. O corpo ferido e ressuscitado de Cristo presente em toda a criação; 3. O que entendemos por Ecologia Integral; e 4. Consequências socioambientais e pastorais.
Dentre as suas 30 páginas, o manifesto realiza tanto uma crítica ao extrativismo e ao modelo tecnocrata que prioriza o lucro em detrimento da vida, quanto também aponta a valorização da espiritualidade e a forma de organização dos povos originários campesinos como caminho para uma nova consciência que possa resgatar a dimensão afetiva e emocional do ser humano.
Live de lançamento
Estiveram presentes no evento de lançamento o teólogo Leonardo Boff e Dom Vicente de Paula Ferreira, presidente da Comissão Episcopal Para Ecologia Integral e Mineração (CEEM). O debate teve mediação da antropóloga e teóloga Moema Miranda, que compõe a Rede Igrejas e Mineração.
O evento dialogou com as atividades do “Junho Verde”, mês dedicado à conscientização ambiental e fez um chamado urgente à transformação, apresentando a publicação como “antissistêmica” e contrária às ideias do capitalismo verde, como definiu Dom Vicente, alertando também contra as falsas soluções apresentadas por uma ecologia superficial.
O documento traz importantes expressões ativas de esperança que “geram projetos de um futuro diferente”, como definiu Boff. O teólogo analisou que movimentos populares e a agroecologia são exemplos práticos da mudança de consciência para uma nova relação com o Planeta. “O Papa Francisco apresenta a fraternidade. E por quê? Porque todos nós fomos gerados da Mãe Terra”.
Durante a abertura da live, Moema Miranda destacou que “diante dos enfrentamentos à crise climática e ao avanço desenfreado da mineração, este documento foi organizado para nos ajudar a compreender o momento atual no Planeta. O Manifesto é uma narrativa para abordar as pautas socioambientais do Brasil e do mundo”.
Leonardo Boff, descrevendo a situação atual do cenário global, apontou que estamos “gerando uma guerra contra a Mãe Terra” e alertou para os riscos de conflitos entre potências mundiais na disputa pela liderança global.
Citando o profeta Jeremias, o teólogo deixou uma mensagem final de esperança. “O tirano pode tudo, mas ele não pode impedir que o sol nasça amanhã. Quem tem essa energia – como o Cristo cósmico – só poderá contar com a vitória e não com a desgraça”.
Fique por dentro
A publicação “Ecologia Integral: uma narrativa para enfrentar a crise socioambiental planetária” está disponível na íntegra. Acesse aqui e compartilhe com a sua rede!
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