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23/07/2026

O Brasil que vota: um retrato dos eleitores e o horizonte das pautas sociais

Demandas urgentes que movimentam a sociedade ajudam a definir a disputa pelas urnas em 2026

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Por Aline Baker

Manifestante com cartaz
Foto: Mídia NINJA

O eleitorado brasileiro de 2026 revela um retrato complexo de um país diverso, pressionado por desafios cotidianos e cada vez mais atento às decisões que impactam sua vida em diferentes  níveis de escolaridade e realidades socioeconômicas, o Brasil chega às urnas refletindo tanto desigualdades históricas quanto novas urgências. Dados recentes do IBGE e de organismos internacionais indicam que essas diferenças se manifestam de forma contraditória: ao mesmo tempo em que o país celebra avanços significativos, como a consolidação de sua saída do Mapa da Fome da ONU, a estrutura das disparidades permanece profunda. Os 10% mais ricos concentram rendimentos mais de 13 vezes superiores aos dos 40% mais pobres, reforçando que as disparidades persistentes entre regiões e grupos sociais continuam sendo o grande nó a ser desatado no debate eleitoral.

Com base no balanço consolidado pelo TSE em maio, o Brasil possui cerca de 158 milhões de eleitores aptos a votar. A maior concentração está na região Sudeste (42%), seguida pelo Nordeste (27%), Sul (14%), Norte (8%) e Centro-Oeste (8%), com o exterior representando cerca de 1% do eleitorado. A maior parcela votante possui Ensino Médio completo, perfil que dialoga com avanços na escolaridade apontados pelo Censo Escolar 2025. Paralelamente, dados do IBGE indicam que cerca de 48 milhões de brasileiros não concluíram a educação básica e não frequentam a escola atualmente, reforçando que a permanência escolar e a qualidade da aprendizagem seguem entre os principais desafios do país.

As prioridades da população, segundo o Datafolha de março de 2026, colocam a saúde pública no topo (21%), seguida pela segurança (19%). A economia e a inflação preocupam 11% dos brasileiros, refletindo a dificuldade de manter o poder de compra. Esse cenário econômico é também influenciado por fatores externos: conflitos internacionais elevam o preço do petróleo no mercado global, encarecendo os combustíveis. Como consequência, aumentam os custos de transporte de mercadorias, o que se reflete diretamente nos preços dos alimentos. Pesquisas da Ipsos indicam que nove em cada dez brasileiro(a)s temem os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio.

O eleitorado afetado por eventos climáticos extremos irão às urnas preocupados com seus efeitos sobre a vida cotidiana e as políticas de enfrentamento.  A observação dessas demandas contribui para a análise do contexto eleitoral e as exigências que precisam se transformar em políticas públicas.

Votar pede atenção aos direitos, às necessidades básicas, ao respeito pelas diferenças e à política que se reflete no dia-a-dia da população. Lutas populares cobram compromissos reais com a vida na construção
da democracia.

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Dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1

73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 e 84% defendem ao menos duas folgas semanais, segundo pesquisa Nexus (2026). A proposta busca reduzir a sobrecarga de trabalho e ampliar o equilíbrio entre emprego, saúde, educação e vida familiar.


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Dos eleitores são mulheres

As mulheres representam 53% do eleitorado e defendem mais investimentos no combate ao feminicídio, monitoramento de agressores, redução da jornada de trabalho e maior participação nos espaços de poder. Mulheres negras reivindicam representação no STF.


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Dos eleitores são pretos e pardos

Pretos e pardos representam 63% do eleitorado registrado pelo TSE, entre as principais pautas estão a reparação histórica, o combate à letalidade policial e à violência política, as cotas raciais no financiamento de campanhas e a ampliação da representação no Legislativo.


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Dos eleitores são povos indígenas

Os povos indígenas representam 0,88% do eleitorado cadastrado. Entre as principais pautas estão a demarcação de terras, a rejeição ao Marco Temporal, a proteção dos biomas e o fortalecimento da representação indígena nos espaços de decisão política.


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eleitores são quilombolas

A população quilombola registrada no TSE soma 188.565  mil pessoas (0,12% do eleitorado). Entre as principais pautas estão a titulação de terras, a garantia de direitos, a preservação da ancestralidade e o desenvolvimento sustentável das comunidades.


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se declaram homossexuais ou bissexuais

Segundo o IBGE, 2,9 milhões de adultos no Brasil se declaram homossexuais ou bissexuais. Entre as principais pautas da população LGBTQIA+ estão a garantia de direitos, a proteção contra a violência, o acesso à saúde integral, a educação inclusiva e o fortalecimento da representatividade política.


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de eleitores entre 15 e 29 anos

Os jovens de 15 a 29 anos somam 34,4 milhões de eleitores, cerca de 22% do eleitorado nacional. Entre suas principais pautas estão educação, saúde mental, combate à desinformação, proteção ambiental e a regulamentação da Inteligência Artificial.


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de eleitores entre 60 a 99 anos

De acordo com o TSE, a população de 60 a 99 anos reúne 36,2 milhões de eleitores, o equivalente a 23% do eleitorado nacional. Entre suas principais pautas estão aposentadoria digna, combate ao etarismo, acessibilidade urbana, inclusão digital e mobilidade para garantir autonomia e qualidade de vida.


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é o déficit habitacional brasileiro

Dados da Fundação João Pinheiro, o Brasil registra um déficit habitacional de 5,77 milhões de domicílios. O dado reforça a defesa de políticas públicas voltadas à moradia digna, à ampliação do acesso à habitação e ao fortalecimento da participação comunitária na construção de soluções habitacionais.


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de imóveis vagos

O Brasil possui 11,4 milhões de imóveis vagos, segundo o IBGE. O dado fortalece o debate sobre a função social da propriedade, o aproveitamento de imóveis ociosos para moradia e o combate à gentrificação.


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já precisaram deixar suas casas temporariamente por eventos climáticos

Uma pesquisa da Ipsos mostra que 24% dos brasileiros já precisaram deixar suas casas temporariamente devido a eventos climáticos extremos. Além disso, mais de 6,2 milhões de pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas entre 2013 e 2024. Os dados reforçam a necessidade de políticas de moradia segura e reassentamento digno para famílias afetadas por desastres.


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famílias aguardam a reforma agrária

Mais de 122 mil famílias vivem em cerca de 1.250 acampamentos aguardando a reforma agrária, segundo o MST. Os dados reforçam a necessidade de ampliar o acesso à terra, fortalecer a agricultura familiar, investir em infraestrutura rural e combater a violência no campo.


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da população depende do SUS

Dados recentes do Ministério da Saúde, apontam que aproximadamente, 76% da população brasileira dependem diretamente do SUS para acesso e atendimento gratuito a serviços de saúde, de acordo com dados recentes do Ministério da Saúde. Por isso, o fortalecimento do SUS para reduzir desigualdades e garantir bem-estar físico e mental para a população é uma das preocupações centrais do eleitorado.


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de eleitores com deficiência

As pessoas com deficiência somam 1,83 milhão de eleitores, o equivalente a 1,17% do eleitorado cadastrado. Entre as principais demandas estão a efetivação das políticas de inclusão, o cumprimento das cotas no mercado de trabalho, a reserva de vagas em concursos públicos e a garantia de educação inclusiva.

Observação: Os dados biográficos de identidade de gênero, raça, etnia indígena e pertencimento a comunidades quilombolas ou tradicionais são autodeclaratórios e passaram a ser coletados pela Justiça Eleitoral em 2022. A atualização ocorre gradualmente, conforme os eleitores realizam atendimentos, e os dados do perfil do eleitorado serão atualizados pelo TSE em julho.

“Das ruas não
sairemos”
Esse é o recado
dos movimentos
sociais que chegam
a 2026 dispostos
a transformar
mobilização em
voto e resistência
em política pública.
Foto: Mídia NINJA

Um novo sistema eleitoral e partidário 

Respeito ao planeta, preservação dos recursos naturais ameaçados e dos povos que os protegem. Confira edição da Casa Comum na Cúpula dos Povos da COP 30 RCC_14EDICAO.pdf

Direitos sociais básicos como saúde e educação universalizados e políticas para a qualidade de vida são obrigações democráticas. Confira a edição da Casa Comum sobre um direito que exige todos os demais: a moradia digna RCC_13EDICAO.pdf

Cultura é emancipação e alimento à consciência coletiva sobre sonhos e direitos, resistência e transformação. Confira a edição da da Casa Comum sobre a luta cultural RCC_12edicao.pdf

Comunicar é instrumento de construção do bem comum, quando o controle privado ou autoritário não imperam. Confira a edição da Casa Comum sobre a batalha da comunicação RCC_11edicao.pdf

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